O penúltimo dia do Canoas Jazz Festival foi de Hermeto Pascoal. Ponto. O músico, um dos mais importantes e consagrados do país, tocou por cerca de duas horas, ganhando aplausos cada vez mais empolgados dos cerca de mil espectadores que foram ao Parque Getúlio Vargas, em Canoas, na noite de 26 de novembro. Apesar de longa, a apresentação em momento algum pareceu que se tornaria óbvia. Aos 75 anos, O Bruxo, como é conhecido, mostrou, sem exageros, disposição e empolgação de uma criança. A receita, segundo ele, para transmitir tal vigor ao público é o comprometimento com a música que faz. “A energia vem porque faço o que amo, não tem como não estar elétrico”, conta.
Hermeto deu uma mostra do por que é imensurável a sua importância musical. Por trás da figura quase mística, de longa e branca barba, das frases certeiras e bom humor no palco, está o homem descrito certa vez por Miles Davis como um dos músicos mais importantes do planeta. Barba, mesa, colher de pau, chaleira, lagoa, o próprio corpo: tudo é um instrumento musical em potencial para Hermeto Pascoal. “Eu não gosto de usar instrumentos musicais prontos. Eu gosto de transformar coisas em sons e em instrumentos”, define. Ainda assim, é considerado um virtuose do piano, da flauta e acordeom. Mas não é só nos instrumentos que está o inusitado e especial da música de Hermeto Pascoal. Ele compõe choro, frevo, maxixe, baião, jazz e de outras naturezas, misturando tudo livremente, em combinações pouco usuais: uma só canção pode possuir vários ritmos.
Hermeto, que se apresenta em vários formatos, com bandas diferentes como Hermeto Pascoal e Big Band, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica, entre outras, se apresentou como Hermeto Pascoal e Grupo, que pode ser considerada a mais clássica, tendo participado desde “A Música Livre de Hermeto Pascoal”, de 1973. Atualmente, o Hermeto Pascoal e Grupo é composto por sete músicos: Hermeto Pascoal (teclado, acordeom, chaleira, escaleta, berrante, copo com água, oito baixos, flauta-baixo…), Itiberê Zwarg (contrabaixo), Márcio Bahia (bateria), Fábio Pascoal (percussão), Vinicius Dorin (saxes e flautas), André Marques (piano) e Aline Morena (voz e viola caipira).
Confira galeria de fotos do show
Também se apresentaram no sábado, no Parque Getúlio Vargas, os chilenos do La Kut e o argentino Mariano Otero, que fizeram bons shows, ofuscados apenas talvez pela expectativa pelo show de encerramento.
Após o show, fãs que esperaram até mais tarde no parque fizeram fila para tentar conversar com o artista. Ele recebeu, em grupos de três pessoas, a todos que esperaram. Segundo uma das produtoras do músico, ele pede que entrem poucas pessoas de cada vez porque gosta de conversar com calma com os fãs. No vídeo abaixo, entre trechos do show, Hermeto fala sobre o Calendário do Som, resultado de um desafio que ele propôs a si mesmo em 1996: compor uma música por dia, todas registradas em livro homonimo. Para quem se impressiona com a meta, Hermeto diz: “eu compus cinco vezes mais do que isso depois que o livro saiu. Eu componho o tempo todo. Ontem compus duas músicas.”
Confira trechos do show e da entrevista com Hermeto Pascoal:


